domingo, 10 de janeiro de 2010

A vida tal como ela é...

E se um “conhecido” lhe oferecer um par de patins?!

Bolas, que dói que se farta! Não é suposto que com a idade estas coisas comecem a doer menos?! Venderam-me esta ideia e agora quero o meu dinheiro de volta!

Passaram 6 meses... Sobrevivi! Houve dias que pareciam não ter fim... Dias em que por mais que tentasse não encontrava um chão... um motivo para me levantar da cama... Mas obriguei-me sempre a levantar! O que me dava forças?! Pensar: “Eu tenho que ficar bem! Eu tenho que ficar bem!”. E fui ficando!...

Em 6 meses mudei a minha vida só porque decidi que tinha que reagir. Que não podia deixar-me quebrar só porque alguém de repente se lembrou que se calhar não era bem isto que queria... Que se calhar podia arranjar alguém melhor, uma relação melhor, uma vida melhor!... E eu recebi um par de patins e fui devolvida à procedência como um artigo com defeito...

Todos temos o direito de nos “desapaixonarmos” mas devíamos ter, pelo menos, a obrigação de tentar reaviver uma relação que simplesmente se deixou cair na rotina... Mas é mais fácil começar de novo... Num outro lugar, com uma outra pessoa... E quando essa cair na rotina outra vez?
Recebi um texto que resume magnificamente esta questão:

"Hoje de manhã íamos no carro, depois de mais um acordar em correria, e eu sentia-me exausta, e olhei-te e estavas exausto, e lá atrás os miúdos gritavam um com o outro, É meu! Não, é meu! Ó mãe! Ele chamou-me bebé! Eu não sou bebé! E os gritos enchiam-nos os ouvidos e o sangue principiava a ferver-nos dentro das veias, sim, que eu bem senti o teu sangue ferver-te nas veias da mesma maneira que o meu, uma vontade imensa de gritar CALEM-SE C**AL*O!, e o cansaço, às 8.30, tão fundo.
Olhei para ti sem que te apercebesses (creio que estavas a entrar numa espécie de transe) e pensei: isto é a vida. A vida tal como ela é. E há poucas pessoas capazes de aguentar a vida como ela é. E quando se dão conta de que a vida não é como no Sexo e a Cidade, quando percebem que a vida não é só jantares românticos e festas e fins-de-semana em resorts de luxo, quando percebem que estão num carro, às 8.30 da manhã, completamente esvaídas, sem forças para darem um grito sequer, quando percebem, as pessoas - muitas pessoas - rebentam. Desistem. Dizem: Isto não é vida. Vou-me embora. Separo-me. Vou à procura de outra coisa. Melhor. Mais excitante. Mais glamorosa. Mais cool. A porra é que é engano. É mentira. É ficção. Daí a pouco, noutra casa, noutro carro, sentirão o mesmo. Sem tirar nem pôr. Porque isto é a vida. A vida tal como ela é. Claro que há momentos de uma felicidade que não tem tamanho nem preço nem palavras que a definam. Ah, sim, claro! Mas são momentos. Excelentes por serem isso mesmo: instantes. E a gente vai naquele carro e pensa: daqui a bocado vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. No fim-de-semana vai ser melhor. Nas férias vai ser excelente. Para o ano é que vai ser em grande. E vai. Mas a vida, a puta da vida, é aquele momento no carro. E a maior parte das pessoas que eu conheço não me parece minimamente preparada para aquele momento. Ou seja, para a vida."

(Sónia Morais Santos, DN)

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